Eles não são muito conhecidos no Brasil, mas nos Estados Unidos são bastante populares. Facilmente identificáveis pelo seu desenho peculiar e única vela carangueja montada num mastro bem à proa, os catboats tem uma história e um design únicos, e merecem atenção por suas qualidades.

O que define um catboat? Em primeiro lugar, a proporção do casco. A boca é em geral quase metade do comprimento na linha d´água. O costado é quase vertical, o que oferece muita estabilidade de desenho. O mastro é montado bem à vante, e em geral não tem estaiamento. Por isso a proa é alta, para oferecer suporte. Assim, a curva da borda é acentuada. O leme é enorme, mas cala muito pouco (nos EUA são chamados de “barndoor”, porta de celeiro). Tem bolina retrátil e uma única vela carangueja com a verga quase vertical. Todas estas características tem a ver com a utilização original destes barcos, como cargueiros e barcos de pesca artesanal na costa nordeste dos EUA, de Nova Iorque a Nova Inglaterra, mas o tipo que se desenvolveu na região do Cabo Cod é a mais popular.

Catboat de 16 pés construído no estaleiro-escola Madeira Mar, projeto de Gustavo Dantas

O calado é baixo para que ele possa navegar nos estuários e baías rasas, e largo para ter capacidade de carga e estabilidade em mar aberto. A bolina é retrátil. A única vela torna-o fácil de velejar com tripulação mínima (normalmente eram operados por dois tripulantes, um piloto e um executando as fainas de pesca ou traslado de mercadorias para os navios cargueiros e baleeiros que saiam dos portos próximos).

No final do século XIX eles se tornaram populares como barcos de passeio. Um catboat de 22 pés podia acomodar mais de 15 pessoas sentadas no cockpit, e sem carga a grande área vélica oferecia desempenho muito bom e velejadas confortáveis, sem adernar muito, por conta da boca. Com a introdução do motor o catboat foi abandonado como barco de trabalho, mas ganhou uma nova vida como veleiro de recreio.

As características do catboat o tornam o veleiro perfeito: pequeno por fora, capaz de ser rebocado e guardado fora da água com facilidade, grande por dentro, com um cockpit enorme e acomodações para pernoite, simples de navegar como um monotipo, uma mão na cana do leme, a outra na escota, estabilidade ótima e bom desempenho. Talvez por causa de suas excelentes qualidades o design do barco nunca foi modernizado, e até os catboats de fibra de vidro com mastros de alumínio ainda mantém o desenho clássico do casco e da cabine.

O catboat há muito saiu das fronteiras dos EUA, há flotilhas em vários países da Europa, mas no Brasil eles são desconhecidos, o que é uma pena, já que são barcos ideais para nossos mares. Podem ser guardados em casa, tem espaço para a família toda, e são fáceis de velejar, oferecendo a possibilidade de se ter um veleiro cabinado com um custo muito mais acessível.

Neste sábado, dia 3 de agosto, o primeiro catboat em compensado-epóxi do Brasil vai para a água em Florianópolis. É também o primeiro veleiro cabinado a sair do estaleiro-escola Madeira Mar, e o segundo barco construído por alunos na modalidade de construção assistida. Esperamos que o catboat consiga vencer o preconceito e se firmar como uma alternativa acessível, divertida, segura e prática de popularizar a vela de cruzeiro em nosso país.