Uma das dúvidas mais comuns de quem está pensando em construir seu primeiro barco é como angariar recursos técnicos e materiais, mesmo quando não se tem intimidade com o mundo náutico, já que muitos construtores iniciantes são navegantes de primeira viagem.

O mundo náutico é muito tradicional, conhecimentos de navegação e construção são passados de pai para filho, num vocabulário bem específico, pouco permeável a curiosos. Assim, ao construtor de primeira viagem pode parecer muito difícil fazer parte desta seleta confraria. Mas construir um barco não tem mistério. O objetivo deste artigo é esclarecer algumas idéias sobre materiais e sobre a dificuldade de constuir um barco:

  1. Onde encontrar o material: a maioria dos barcos de madeira de pequeno porte exige compensado naval  e resina epóxi. O compensado é relativamente fácil de encontrar, a resina epóxi nem tanto. Mas os fabricantes despacham para todo o território nacional.
  2. É difícil fazer mastros e velas? Nem tanto, tudo depende do projeto, e do construtor. Velas caranguejas são, apesar de mais complexas, mais fáceis de armar sem necessidade de perfis especiais de alumínio. Assim, são mais próprias para aramções de baixo custo, feitas em casa. A armação tipo junco chinês é, apesar da aparente complexidade,  a mais fácil de fazer em casa, e a mais barata, e resulta num conjunto de velas que tem excelente desempenho na orça e também em ventos de popa, dispensando spinnakers e bujas. O sistema é muito simples de armar, e requer apenas comandar a escota. Nada de catracas, runners, etc.
  3. Legalizar um barco não é tão complexo. Você vai precisar da assinatura de um engenheiro, mas muitos deles avalisam barcos construídos em casa e em estaleiros artesanais por toda a costa brasileira. O procedimento é conhecido e generalizado. Vá até a capitania dos portos mais próxima para saber o que eles exigem de documentação. Barcos de recreio sem motor, para uso em águas interiores, de menos de 5m de comprimento total, dispensam registro.
  4. As habilidades exigidas de um construtor artesanal variam com a complexidade do projeto. O método “stitch-and-glue”, literalmente, costure-e-cole, é o mais simples e rápido, e se o casco for corretamente projetado, oferece a melhor relação custo-benefício, e o menor tempo de construção, para barcos pequenos. Seja realista na hora de escolher um projeto. Cuidado vale mais que habilidade. Siga as instruções do projetista e do fabricante de resina à risca, não faça nada com pressa, escolha o material com cuidado, e entre em contato com o projetista sempre que surgir alguma dúvida.

Construa seu primeiro veleiro sem medo. Vale a pena, e não é difícil nem caro. Mas exige dedicação, paciência e trabalho. A recompensa, entretanto, não tem preço.