Técnicas de construção

Há diversas técnicas de construção amadora de veleiros. Abaixo você vai ler sobre algumas das mais populares:

  1. Compensado naval sobre anteparas: Seções transversais do casco (balisas) são cortadas e montadas sobre um picadeiro. Sobre elas são fixadas longarinas, no encontro das quinas (linha de encontro de duas chapas de compensado do casco). Sobre as longarinas as placas do casco são coladas (parafusos fixam as placas nas longarinas até a cura completa do epóxi). O casco então é selado com resina epóxi, e pode receber camadas de fibra de vidro saturadas com resina epóxi para aumentar a resistência superficial do casco. Suas vantagens: facilidade de construir veleiros de praticamente qualquer tamanho (claro que, acima de 36 pés, as coisas ficam mais difíceis) sem necessidade de ferramentas especiais ou equipe numerosa. Desvantagem: o casco tem quinas visíveis, que podem ser esteticamente desagradáveis para alguns, e oferecem uma maior resistência ao movimento.
  2. Strip Planking: O Strip-planking é uma técnica adequada para construir cascos de linhas arredondadas rapidamente, e oferece cascos muito leves e resistentes. Strips (barras de madeira de, por exemplo, 2cmX2,5cm) são fresadas para criar encaixes macho-fêmea. Balisas são montadas sobre um picadeiro (serão retiradas depois), e sobre elas os strips são colocados, e colados um ao outro com resina epóxi. O casco é então selado por dentro e por fora, e depois disso os elementos estruturais de reforço, bem como o mobiliário, são fixados depois, em geral com fibra de vidro e resina epóxi, sobre o casco previamente selado. Vantagens: cascos arredondados de grande eficiência, fortes, e rápidos de construir (relativamente). Técnica ideal para veleiros maiores. Desvantagem: muito, muito demorada… e depende da disponibilidade de boa madeira bruta, cada vez mais rara e cara.
  3. veleiro construido com tecnica costure e coleStitch-and-glue: Esta técnica é comum para veleiros pequenos, e permite a construção rápida de barcos muito resistentes. As placas de compensado do casco são cortadas, e fixadas uma a outra por meio de arame ou braçadeiras de plástico, já na forma final do barco. As juntas são então coladas com camadas de fibra de vidro saturadas com resina epóxi. O casco todo é então selado por dentro e por fora. Vantagens: menor tempo de  construção, boa resistência (desde que o casco tenha sido projetado para esta técnica) e baixo custo (dispensa madeira nobre necesária para quilhas e longarinas). Mas não se engane: é possível construir barcos grandes com esta técnica, bastando para isso fazer um laminado cold-molded sobre o casco original para aumentar a espessura até as medidas necessárias de escantilhões. Sam Devlin constrói barcos de até 55 pés, com dois motores e mais de 400hp, usando esta técnica.

Na técnica “costure e cole” o compensado é fixado por arames até a filetagem e a laminação, sem longarinas.

Cada uma destas técnicas tem suas vantagens e desvantagens, você deve pesar os fatores de custo de construção, desempenho desejado, fatores estéticos, tempo disponível e experiência com madeiras, e é claro, o projeto que mais lhe agrada.

Pessoalmente, acho que a técnica do “costure e cole”, entretanto, oferece o menor tempo de construção e, estruturalmente, nada fica a dever a barcos construídos com técnicas e materiais tradicionais. Aliás, se corretamente projetados, podem superar outros barcos, pois o casco, como um todo, se torna um “monocoque”, como os carros de fórmula 1. Além disso é ambientalmente mais correta, por se basear no uso de madeiras industrializadas e certificadas (compensados aproveitam melhor a madeira, usam madeiras menos nobres, e em geral são certificadas por estarem sob fiscalização mais intensa), e o material é mais facilmente encontrado nos grandes centros urbanos.